5.22.2013

"....MINHA FANTASIA PERFEITAMENTE REALIZADA..."

João Ubaldo Ribeiro

Num prodígio de coordenação, uma autêntica operação de guerra, parecendo filme inglês de espionagem, finalmente chegou o dia. Quatro horas da tarde, eu daquele jeito que já contei, um maremoto de tesão latejante, ele atrasado, uma  aflição. Tive que me conter para não cair em cima dele assim que passei a chave e o ferrolho na porta, mas consegui me segurar, fiquei em pé junto dele, e ele, depois de uma eternidade, pôs a mão no meu ombro e disse "como vai você?".

- Vou bem, vou bem. Vou nervosa.
- Nervosa?
- O que é que você acha? Minhas pernas estão tremendo.

Estavam mesmo e ele ainda demorou para fazer alguma coisa além de botar a mão no meu ombro, até que finalmente desencantou e, agarrados mesmo, fomos para o quarto que dava porta para o corredor e onde Claude tinha sua cama de casal para receber rapazes, um quarto penumbroso dentro de uma floresta de quadros, esculturas e bibelôs, com parte do teto e uma parede cobertas por espelhos. Sentamos na cama olhando fixo um no outro, eu fazendo minha melhor cara de corça no cio alcançada pelo macho, sem nem precisar muito, porque estava mesmo fora de mim de tesão.

Ele me desabotoou a blusa, eu o ajudei a tirá-la, com um sorriso leve, sem mostrar os dentes e baixando os olhos. Ele me beijou bem, já tinha aprendido comigo. E pôs a mão no fecho de meu sutiã, novidade tecnológica na época, um americano que Norma Lúcia me trouxe de presente, do tipo que soltava com uma pressãozinha dos dedos. Meus dois peitos pularam livres, trêfegos e lindos como luas cheias, as aréolas rosadas quase apontando para o alto, os bicos tensamente enrijecidos, as curvas delicadas se desdobrando em mil outras sem cessar, e ele enfiou o rosto no meio deles.

Não sei como, logo estávamos nus e deitados juntos e resolvi que ficaria o mais quieta possível na cama e só me mexeria em caso de emergência, para evitar uma barbeiragem mais grave, enquanto ele descia a boca dos meus peitos para o umbigo e finalmente lá embaixo, que foi quando eu não  me controlei e  segurei a cabeça dele entre minhas pernas e gozei tão profundamente que achei que ia morrer.

Quando parei de gozar, pensei que ele ia querer que eu o chupasse também um pouco, e eu estava com vontade, mas, mal resvalei os lábios no pau dele, ele recuou os quadris, ficou de joelhos diante de mim e me disse, encantadorissimamente, machissimamente no melhor sentido:

- Abra as pernas para mim.

Eu abri, ele curvou meus joelhos para cima, afastou minhas coxas ainda mais - ai, que momento lindo! -, encostou a glande bem no lugar certo, agarrou meus ombros com os braços em gancho pelas minhas costas, abriu a boca para me beijar com a língua enroscada na minha e, num movimento único e poderoso, se enfiou em mim. Senti uma dor fina e quase um estalo, cheguei a querer deslizar de costas pelo colchão acima, mas ele somente enfiou-se em mim até o cabo e ficou lá dentro parado, me segurando forte, para só então terminar o beijo, erguer o tronco e começar a me foder, olhando para a minha cara. E então, com a expressão de homem mais bonita que já vi na minha vida e exalando um cheiro para sempre irreproduzível, gozou muito fundo dentro de mim e eu senti, senti mesmo, aquele jato me inundar gloriosamente aos borbotões, aquela pica grossa e macia pulsando ereta dentro de mim, ai!

Eu não gozei, mas só tecnicamente, porque de outra forma gozei muito naquele momento, não posso descrever minha felicidade, minha profusão de sentimentos, me sentir mulher, me sentir fodida, me orgulhar de ter sido esporrada em meio a meu sangue, sem fricotes, como uma verdadeira fêmea deve ser inaugurada por um verdadeiro macho.

Já li muitos livros eróticos e pornográficos, a maior parte detestável, já vi tudo, mas nada pode espelhar aquele instante,  nada, nada, nada, nada, até hoje me masturbo pensando naquela hora, minha fantasia perfeitamente realizada.

in: A Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro.

2 comentários:

Reflexo d'Alma disse...

Foi ótimo pra mim!
Adoro esse livro e recomendo sempre
pra quem gosta do genero.
Hoje estava com o seu perfil aqui pra ler e comentar
e olha quem aparece no email?
Saudade.
Bjins

DARK Escarlatte disse...

Deliciosamente picante. Muito bom esta leitura.