4.27.2016

MAS,EXISTE KOMBI VOADORA ?


Reblogando do site
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Meu breve histórico. Sou nascida e criada em São Paulo, próximo à Estação Jabaquara do Metrô, mais exatamente na divisa entre a Vila Guarani e a Cidade Vargas. Tenho um irmão mais velho e dois mais novos e todos nós recebemos uma educação pautada pelos bons costumes, pela moral, e tudo o mais que contribui para me tornar uma moça com muito recato.


Claro que tive meus namoricos, meus pegas mais entusiasmados com um e com outro menino, mas tudo dentro da normalidade, ali pelas imediações da E.E. Salvador Moya, onde estudei até ir para a faculdade.

E claro também que como toda boa menina sempre tive minhas fantasias eróticas, bem inocentes quando novinha, um pouco menos inocentes conforme fui crescendo, mas fantasias apenas, do tipo em que é sempre o menino quem me conduz, por bem ou por mal, isentando-me de qualquer culpa, como li num livro sobre fantasias eróticas da mulher.

E claro ainda que antes mesmo de ir para a faculdade conheci o garoto dos meus sonhos com quem logo engatei um namoro e algum tempo depois ele engatou outra coisa em mim. Mas tudo dentro da normalidade e cinco anos de namoro depois, já quase para me formar, até falamos em casamento.



O que parece não ter sido normal ou que não ficou muito claro foram alguns acontecimentos que vivi nos últimos tempos ou, mais exatamente, no cair de uma certa noite.

Meu namorado, que não mora muito longe da minha casa, sempre vai me apanhar na Estação Jabaquara à noite, quando eu volto da faculdade. Se não vai ele, vai o meu irmão mais velho ou o meu pai. Um me pega de moto, o outro de carro e o terceiro à pé. Sempre gostei de caminhar pelas ruas conversando alegremente com o meu pai, menos nos dias de chuva, quando prefiro que seja o meu irmão, de carro.

Mas numa certa noite, que mal começava, não foi nenhum dos três. Chovia de assustar, ventava, trovejava, parecia que o mundo ia acabar. Fui para a faculdade, mas voltei logo em seguida, pois o temporal causou falta de energia e as aulas, claro, foram suspensas. Foi então que misturou tudo. Eu já estava um tanto cansada por conta do meu trabalho durante o dia, com a encheção do meu chefe e outros estresses mais, que aumentaram por causa do temporal e do medo de cair uma árvore na cabeça, pisar num fio de eletricidade...
Só me senti segura quando entrei na estação Luz do metrô e embarquei num vagão mais ou menos vazio, o que me fez pensar que dava até para tirar um cochilo, que eu bem precisava.


Mas nem tive tempo de cochilar ou, talvez, até cochilei, nem sei.
É que logo sentou um chato do meu lado, me reconheceu, puxou conversa, e não parou mais de falar e fazer perguntas.
Era o Neco, que eu nem conhecia, mas que se apresentou e me conhecia, sabia o meu nome e dizia que tinha uma oficina na mesma rua onde moro, um pouco mais abaixo. E falava o nome dos meus irmãos, do meu pai, da minha mãe.

Oras... se ele era conhecido da minha família, por que não aceitar uma carona com ele quando chegamos na estação Jabaquara. Mesmo porque o temporal havia piorado?
O relógio da plataforma da estação marcava 20h:35m.

- Vim trazer um freguês meu que deixou um carro lá para eu arrumar e aproveitei para ir até a Florêncio de Abreu para ver o preço de uma ferramenta, depois encontrei um amigo, ficamos tomando uma cerveja... mas foi até bom, não é, pois assim encontrei você, posso te dar uma carona... – ele foi explicando, falando sem parar, enquanto meio que corríamos até o veículo estacionado numa ruazinha ao lado do terminal de ônibus.

O veículo era um Kombi igual a qualquer outras tantas Kombi que já vi, até que bem arrumadinha. Por fora era uma Kombi normal, mas quando ele abriu a porta e entrei do lado do passageiro, logo vi que aquele não era um veículo qualquer, a começar pelo painel, que mais parecia de uma nave extraterrestre (ou como eu imagino que seja uma nave extraterrestre), todo cheio de luzes e mostradores, passando para os bancos, que eram um luxo só e também cheio de controles, e terminando pelos vidros e pelas janelas, que não pareciam vidros ou janelas normais.

- Isso é uma Kombi ou uma nave espacial intergaláctica? – perguntei, brincando, querendo elogiar o trabalho que ele teve para fazer toda aquela transformação.
- Não é intergaláctica, mas é espacial. – ele disse.
- Especial, você quer dizer.
- Não. É espacial, mesmo. Quer dar uma chegadinha até a Lua antes de eu te deixar em casa.
- Você é maluco ou está só treinando? – perguntei, meio brincando, meio nervosa, já acreditando que havia entrado numa aventura perigosa.
- Não sou maluco, não. Pode ficar sossegada. – ele respondeu, como se tivesse adivinhado meus pensamentos. – Na verdade ainda não é possível ir até a Lua com ela, mas depois que adaptar o sincronizador pulsativo de empuxe bilateral... aí posso ir até Marte, Júpiter... e você pode ir junto, se quiser.
- Fala sério! – eu disse, mais nervosa que qualquer outra coisa.
- Não está acreditando, não é? Mas vou te provar. Olhe só!

Ele mexeu uns botões, puxou uma alavanca, grudou os olhos num mostrador que girava sem parar e então sumiu tudo. A calçada ao lado sumiu, a rua sumiu, a cerca do terreno sumiu, as árvores, tudo... Só ficaram os pingos de chuva que batiam nos vidros e escorriam, mas esses também logo iriam sumir.
- O que você fez? – perguntei, já sem saber se estava assustada ou admirada com aquela mágica. – Cadê a rua, as casas?
- Aqui em cima não tem rua nem casas. – ele falou.
- Aqui cima? Aqui em cima aonde? Onde estamos?
- Calma. Estamos a 60 metros de altura apenas. Não posso ir mais alto nessa região por causa dos aviões de Congonhas... se bem que com esse temporal não parece estar havendo nem pouso nem decolagem. Mas vamos para outro lugar que vou subir mais um pouco para você ver.
- Ver o quê? Me leve pra casa. Me deixe descer... por favor.
- Calma menina! Já te falei que não sou maluco. Consegue ver a mata do zoológico ali embaixo? E as luzes da cidade mais à frente?
E o pior é que eu via. Mesmo com aquela chuva toda, a cada relâmpago eu via que estávamos sobre a mata e também podia perceber a rodovia dos Imigrantes, as torres de televisão piscando lá na Avenida Paulista...
- Que maluquice é essa, meu Deus? Aquilo ali está parecendo Santos, Praia Grande...

Eu já começava a fazer minhas preces e a temer pela minha vida.

- Mas é Santos, Praia Grande, Guarujá... Quer dar uma chegadinha no Rio de Janeiro? Lá não está chovendo e...
E nem tive tempo de falar não, pois logo passou um bocado de luzes como um flash pelo pára-brisa e depois apareceu uma cidade que fui reconhecendo como o Rio de Janeiro, suas luzes, suas torres, o Cristo Redentor.
- Eu quero minha mãe! – quase gritei, e sentindo que em breve eu teria um descontrole urinário... se não ocorresse o pior. - Meus pais estão preocupados comigo. Preciso ir para casa. – gritei.
- Liga pra eles. Fala que está comigo e que logo te deixarei no portão.
- Mas ligar daqui do Rio... e quem é você?
- Pode ligar que pega... alcança. E eu sou o Etevalson.
- Etevalson? – quase ri.

Só não ri porque logo apertei o número de casa e minha mãe atendeu. A ligação estava horrível, mas consegui falar que logo estaria em casa.

– Mas você não falou que seu nome era Neco? Ou será que não falou...?
- Dá tempo da gente ir até Salvador. Que tal? – ele sugeriu, sem responder à minha pergunta.
- Para com isso! Quero ir pra casa. Ou me leva ou deixa que vou a pé. Onde que abre essa droga de porta?
- Mas que modo de falar! Eu com as melhores das intenções e você chama a Kokô de droga...
- Desculpa! Falei sem querer. Mas quem é a Kokô? (Sei que é assim que escreve porque havia uma plaquinha no painel). E se você está com as melhores das intenções então me leva para casa, por favor. – eu falava, enquanto percebia que a cidade ia ficando cada vez mais lá embaixo, mais miúda. – Como que eu abro essa porta?
- Nem pense abrir a porta agora. Vai despressurizar a Kokô e vamos ficar sem ar e morrer congelados, o que ocorrer primeiro. Estamos a quinze mil metros de altitude, olhe só!

Havia um painel digital marcando Altitude 15.0 m e mais nada... quer dizer, abaixo de nós, fora da Kombi, a única coisa que eu via eram nuvens e mais nuvens... todas muito abaixo de nós. Estávamos acima das nuvens.

- Eu estou sonhando, estou num pesadelo, não estou?
- Está não. Essa é a maior altitude que posso atingir com a Kokô antes de instalar o sincronizador pulsativo de empuxe bilateral. Comprei um da China, mas parece que ficou retido na alfândega e...
- Eu não estou louca! Eu não estou louca! Eu não estou louca!
- Por que está repetindo isso? Sei que você não é louca. E sei também que você é a menina mais bonita da rua, do bairro, da cidade... E sei mais ainda; sei que estou apaixonado por você desde o primeiro dia que te vi, quando você era ainda uma garotinha e chupava chupeta. Você chupou chupeta até os onze anos...

Claro que eu estava perdida! Era a única coisa na qual eu podia acreditar. Estava perdida junto a um maníaco maluco ou um verdadeiro ET, e tudo o que eu podia fazer era torcer para que ele não fosse um maníaco agressivo e que não me jogasse daquela altura... quinze quilômetros.

- O que você quer comigo? – perguntei, me espremendo contra a lateral da porta da Kombi.
- Nada que você também não queira. – ele disse
- Eu quero ir para a casa. Isso é tudo o que eu quero. – falei, com uma certa expectativa de que essa revelação fosse causar alguma sensibilidade nele.
- Eu vou te levar pra casa. Mas não pode ser depois?
- Depois do quê?

E de repente, num momento só, quatro garras prenderam meus braços e minhas pernas, enquanto os bancos, meu e dele, se deitavam até ficamos totalmente na horizontal.

- Pelo amor de Deus, homem. O que você vai fazer comigo?
- Calma, meu anjo! Não vou fazer nada que você não queira que eu faça.
- Mas eu não quero fazer nada com você nem que você faça comigo.... me leve embora, deixa eu ir embora, me solta, abra a porta...
- Você vai embora a pé, daqui de cima?
Fez-se um silêncio, ele ficou me olhando, continuou me olhando...  e então alguma coisa aconteceu comigo.
- Você está querendo transar comigo, não é? – perguntei.

Mas não perguntei apenas por perguntar ou para implorar em seguida que ele não me fizesse mal. Perguntei porque a coisa que me deu foi uma vontade louca de transar. Estamos aqui em cima. – pensei. – longe de tudo e de todos, ele até que é bonito, parece gostoso... Por que não realizar ao menos uma das minhas fantasias - muito embora eu nunca tenha fantasiado uma transa no espaço?
- Se você me soltar eu transo com você. – falei, quebrando então o silêncio e aquele seu olhar penetrante que não desviava dos meus.
- Você não está presa. – ele disse.

E não estava mesmo, pois aquelas garras logo se soltaram e no lugar delas se aproximaram as mãos do Neco... ou do Etevalson, não sei.
E junto com as mãos veio também a boa.
E junto com as mãos e a boca veio também um certo perfume que nunca consegui identificar o que era, mas que simplesmente me deixou excitada, excitadíssima.

Não foram suas mãos, não foi sua boca nem foi ele quem tirou a minha roupa, toda a minha roupa. Em poucos segundos eu já estava empurrado a calcinha pelas pontas dos pés, e nem me lembro como e por onde eu havia começado a me despir.
Será que aquele perfume vinha do espaço? Será que a atmosfera rarefeita estava afetando a minha libido?

- Quer perfume é esse? – perguntei. – É aguma substância que você espalhou para me fazer indefesa?
- Não espalhei substância alguma. Este perfume é o cheiro do cio... você está no cio... quer transar...
- Transar eu quero, mas não estou no cio, não sou nenhuma...
- Nenhuma o quê?
- Nada. Eu ia falar que não sou nenhuma vaca, mas sou sim. Sou uma vaca, a sua vaca, e você é meu boi, meu touro, meu garanhão, me dá seu pinto gostoso, me dá.

Eu nem acreditava no que estava falando, nunca havia falado daquela maneira com o meu noivo, nunca havia me soltado tanto, mas naquele momento, a partir daquele momento, já não era mais eu quem estava ali... quer dizer, era eu, mas eu havia me transformado em sexo... eu todinha era somente sexo.
Eu era uma vagina, uma vulva, uma xana, uma boceta...
Se usamos camisinhas ou não não, nem me lembro.
Se transamos três vezes, quatro vezes, cinco vezes, mais vezes, não me lembro.
Só lembro que fiquei por baixo, por cima, de lado, de quatro, com os pés presos naquelas argolas de segurar com a mão...
Não me lembro se transamos em todas as posições possíveis e imagináveis, mas acho que transamos, tenho certeza que transamos.
Não sei se antes de mim alguma mulher astronauta já havia transado no espaço, mas se transou, com certeza foi uma... ou foram muitas transas que ela nunca mais vai esquecer.

Mas precisávamos voltar à terra. Apesar de não querer mais sair de lá de cima eu estava preocupada com o horário, com a minha família, o meu namorado.

- O cavalheiro pode me conduzir até o portão da minha casa? – perguntei, enquanto vestia e ajeitava a calcinha no corpo.
- Levo sim. Mas antes de iniciar a descida a mocinha pode me responder se aceitaria um novo encontro comigo aqui nas alturas?
- Não sei. Realmente eu não sei. Foi tudo muito maravilho, mas você sabe que tenho namorado, que gosto dele, que... Onde estamos?
Incrível! Mas de repente estávamos na mesma rua ao lado do terminal, ainda chovia forte, as pessoas circulavam, os carros...
- Desculpa. – ele disse. – Mas enquanto eu não instalar o sincronizador pulsativo de empuxe bilateral tenho sempre de voltar ao lugar de origem com a Kokô. Daqui até a sua casa temos de ir como uma Kombi normal, pelo chão.

Ele deu partida e rodamos os quarteirões que nos separavam da minha casa. Fui deixada no portão. Entrei pelo corredor lateral imaginando que já devia ser meia noite ou mais e que todo o meu pessoal já estava desesperado à minha procura.

Mas os pais viam televisão, os manos estavam cada um em seu quarto, seus computadores. O relógio da cozinha marcava 20h56m. Sentenciei que devia trocar as pilhas no dia seguinte.
E só então me deu como que um desespero, pois na sala ainda passava o jornal, não era meia noite, não fazia nem meia hora que eu havia deixado a estação com o Neco ou Etevalson, que eu havia entrado na Kombi...
Será que eu estava louca?
Fui ter com o meu irmão mais velho, no quarto dele.

- O pessoal chamam ele de Etevalson por gozação. – falou o meu irmão. – Ele é mecânico de carros, mas gosta muito de eletrônica... inventa cada coisa! Imagine que ele tem uma Kombi com umas telas nos vidros que projeta imagens de tudo quanto é lugar, qualquer cidade... faz até parecer que está na Lua, no fundo do mar, e...

Tudo bem, entendi o segredo da Kombi, da mata do zoológico, do Rio de Janeiro, das nuvens abaixo de nós. Entendi que ficamos o tempo todo no mesmo lugar, que transamos ali mesmo, no meio da rua, ao lado do terminal.

Só não entendi o lapso de tempo, pois acho que ficamos ali por bem mais de duas horas e cheguei em casa pouco mais de vinte minutos depois de haver desembarcado do metrô.

Sinceramente, de tudo eu só entendi as transas... maravilhosas transas.