11.15.2012

SEXO NO FIM DO MUNDO

Paulo Mohylovski

Parou o carro num posto de gasolina. Buzinou. Parecia deserto. Esperou. Estava impaciente. Voltou a buzinar. De uma casinha de madeira, saiu uma garota de cabelos morenos. Estava com um vestido velho e amarfanhado. Aproximou-se do carro de uma maneira lenta, como se estivesse desfilando.
Ele continuava impaciente, mas quando viu a garota se aproximando, sentiu-se calmo e até mesmo aliviado.
A garota parou diante do carro.
- Preciso de gasolina. – ele disse.
- O posto está fechado há mais de um mês.
- Há outro por perto?
Ela deu de ombros.
- Acho que não!
Ele bateu no volante com violência.
- Merda! Eu devia ter colocado gasolina antes de ter saído da auto-estrada. Eu pensei que...
Ele parou. Do que adiantaria falar dos seus problemas com aquela garota?
- Você tem pelo menos cigarro pra vender?
- Não tenho.
- Uma cerveja?
- Não tenho nada.
- Uma água mineral, pelo menos?
Ela fez que não com a cabeça. Ele ficou desanimado.
- Não tem nenhuma torneira onde eu possa tomar um pouco d’água?
- Tem uma bica, logo ali.
Ela apontou para o lado da casinha de madeira.
Ele saiu do carro.
- Você pode me levar até lá?
A garota parecia não ter pressa de nada. Andou lentamente até a bica, sem dizer uma única palavra. A água jorrava de um cano no meio de algumas árvores e pedras.
Ele se esgueirou por dentro do mato. Ela ficou esperando. Cantarolava e mexia na ponta dos cabelos.
Ele tropeçou numa pedra e enfiou a perna dentro d’água. Teve vontade de dizer um palavrão, mas se conteve. Subiu numa protuberância de terra e colocou a boca embaixo da bica. Bebeu água suficiente para suportar uma hora de viagem.
- Não tem uma garrafa de plástico para poder levar uma pouco de água comigo?
A garota sorriu:
- Não tem.
- Não tem nada por aqui?
A garota voltou a sorrir.
Ele a olhou fixamente. O sol estava forte e ele teve que colocar a mão por cima dos olhos para poder mirar a garota.
- E o que você faz aqui?
- Nada.
Estranhou. Não havia nada ao redor, nem mesmo uma casa, a não ser o posto abandonado.
- Há quanto tempo você está aqui sem fazer nada?
- Sei lá.
Ela respondia tudo com poucas palavras, mas não deixava de mexer na ponta do cabelo. Tinha olhos negros e pele morena.
Ele sentiu um forte desejo por aquela bela garota.
- Passa muita gente por aqui? Digo, muitos viajantes?
- De vez em quando.
- Eles param no posto?
- Alguns param, outros, não.
Ele enxugou o suor que brotava do seu rosto.
- Bem, tenho que ir. Você mora por aqui perto?
- Moro.
Ele não soube como prosseguir a conversa.
- Tudo bem, então.
Ele começou a se afastar da garota. Ela veio atrás; desta vez, com passos rápidos e decididos.
- Moço!
- Sim?
- Você tem dinheiro pra me dar?
O olhar dela estava estranho. E convidativo...
- Dinheiro?
- Qualquer coisa.
Por um momento, ele ficou perplexo. Procurou impaciente algo no bolso. Encontrou uma nota velha e amassada. Deu pra garota.
Ela pegou a nota rapidamente, como se fosse uma criança pegando um doce.
- Não tem mais? – perguntou.
Olhou-a ainda mais intensamente. Parecia tão nova, ao mesmo tempo tão...
- Quantos anos você tem?
- Dezoito.
- Não mente pra mim.
- Juro.
O calor parecia mais forte. Ela bamboleava o corpo pra trás e pra frente. Sem deixar de segurar a ponta do cabelo.
A espera de ambos parecia insuportável. Dois urubus ziguezagueavam pelo céu.
- Tenho mais dinheiro no carro. Depois eu te dou. – ele disse finalmente.
A garota entendeu, abaixou os olhos e depois olhou para casinha de madeira:
- É lá. Vamos? – ela disse apontando pra casinha de madeira.
Ele ainda olhou para o carro. Pensou na longa viagem pela frente, mas depois olhou para a garota. Sensual e mágica, como uma serpente do deserto.
- Vamos. – ele disse, por fim.
Entraram na casinha de madeira. Estava muito quente lá dentro, mesmo com as frestas que haviam nas paredes.
Havia uma cama de molas e também um ventilador portátil. A garota o ligou e depois tirou o vestido por cima da cabeça.
Ficou nua.
Ele sentou-se cuidadosamente na beirada da cama e a chamou. Com a mesmo lentidão de sempre, ela se aproximou.
- Senta aqui, do meu lado.
Ela se sentou. Parecia tímida, agora que estava nua.
Ele a pegou pelo queixo, levantou a sua cabeça e beijou os seus lábios. Eram doces como mel e úmidos como a calda de um licor.
Ele ficou excitado.
A garota percebeu. Cuidadosamente, abriu o zíper da calça dele. O sexo duro pulou para fora. Ela o segurou e o chacoalhou levemente. Depois curvou o corpo e o colocou dentro da boca.
Ela chupava delicadamente.
Ele fechou os olhos por um momento e dobrou o corpo até se encostar na parede. As pernas ficaram esticadas para fora da cama.
A garota grunhia como um filhote de animal enquanto estava com o pau entre os lábios. Por fim, ela parou. Ao redor da boca formou-se uma espécie de crosta, como se tivesse se lambuzado com seu doce predileto.
- Tira a roupa! – ela falou, já tomando a iniciativa de tirar a camisa dele.
Por um momento, ele ficou embaraçado. Conseguiu se levantar e ficou de pé. Ele mesmo tirou a camisa e a calça, deixando-as dobradas ao pé da cama.
Depois tirou a cueca e a colocou em cima da calça.
A garota esperava, com seus olhos negros e com um leve ar de curiosidade. Ela reparou nas pernas grossas e peludas. E o membro era o maior que já tinha visto. Parecia possuir uma força agressiva e animal.
Ela abriu as pernas e recebeu o falo por inteiro. Completamente. O homem se deitou por cima dela e se movimentou com violência, forçando o descomunal caralho no meio da sua vagina.
A garota colocou as pernas em torno das costas dele. Ficou mais arregaçada deste jeito. O seu sexo parecia estar completamente encharcado até a boca. Sentia a calda escorrer pelo meio das suas coxas até atingir o seu pequeno cu.
Ele também sentia que seu pau estava todo melado dos sumos da garota. Não devia prosseguir daquele jeito. Devia ter interrompido aquele sexo vulgar feito dentro de um casebre de madeira, numa cama que rangia estridentemente, imerso num calor insuportável e infernal.
Mas não!
Ele prosseguiu. Continuou martelando o sexo da garota. Nunca foi tão penetrante, tão agressivo. Tinha vontade de rachar a garota em duas. Queria lhe dar o sexo mais atordoante, o prazer mais enlouquecedor. Sem saber muito bem porque.
Talvez por causa do olhar da garota que continuava cheio de doçura. Como que implorando, como que pedindo: "Goza em mim... esporra em mim... me encharca da sua porra..."
Ele bateu, perfurou e encharcou a racha da garota.
Ela gritou quando sentiu o gozo do homem, como se fosse um cavalo selvagem possuindo uma fêmea também selvagem.
Sentiu tanto prazer, que por um momento esqueceu de tudo. E se entregou a um doce devaneio, que só foi interrompido quando o homem, já de pé e vestido, disse:
- Vamos embora. Quero dar seu dinheiro e partir.
A garota se vestiu e seguiu o homem até o carro. Ficou esperando, balançando o corpo e segurando a ponta do cabelo.
- Toma! – ele disse, estendendo algumas notas para a garota.
Ela ficou com o olhar distante enquanto ele sumia numa nuvem de poeira.
No carro, ele ligou o rádio para relaxar:
- Devia ter mais cuidado. – falou em voz alta.
Cantarolou, acompanhando a melodia do rádio.
- Até que era bonita... e gostosa. – disse com uma voz sarcástica.
Acendeu seu último cigarro.
- Quem diria, neste fim de mundo...
Rodou mais um pouco, sem pensar em nada. Mas a imagem da garota nua voltava a todo o momento para a sua cabeça.
- Nem sei o nome dela. – pensou.
Acelerou:
- Mas foi melhor assim: sem nomes.
De repente, quando não estava pensando em mais nada, o carro engasgou. Deu um tranco e parou.
- A gasolina... – ele pensou.
Depois bateu no volante com força e exclamou:
- Merda!
autor: Paulo Mohylovski

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