1.18.2012

CONFISSÕES NA CAMA




Camila subiu ao carro e comentou que a noite tinha sido agradável. Cláudio, o marido, concordou sem muito entusiasmo. Durante a festa, um jantar de primeira com uma banda muito boa, ele parecia estar divertindo-se como nunca. Porém, depois de conversar com um dos seus amigos, encostado no balcão do bar e bebendo um pouco mais da conta, ele mudou de humor.

Camila percebera a mudança, mas não quis perguntar nada; sabia que, cedo o tarde, ele falaria sobre o que o estava preocupando ou entristecendo.

Ele falou pouco durante o trajeto. Já no apartamento, ele foi até o bar e serviu uma dose generosa de uísque, com algumas pedras de gelo.

Camila falou que iria tomar um banho e dormir.

___ Vem cá! – falou Cláudio, com energia -. Senta aí!

Estavam na sala. Ele ficou na poltrona e ela no sofá.

___ Você sabia que o Rafael tem um amigo que trabalha no mesmo prédio que você trabalha? – perguntou o marido.

___ Não – respondeu Camila, pressentindo o que viria.

___ Pois é, esse amigo contou umas coisas que me deixaram cabreiro.

___ Como coisas? – inquiriu Camila.

___ Bem, vamos direto ao assunto – cortou Cláudio, irritado -: ele afirmou que você tem um caso com seu chefe, esse tal de Alfredo.

A mulher sentiu que o teto caia sobre sua cabeça e, ao mesmo tempo, o prédio inteiro vinha abaixo.

___ Que coisa mais maluca, Cláudio! – falou e perguntou : E você o quê falou para o Rafael?

___ A tua cara é um poema... – disse o marido, sem responder à pergunta.

___ Cláudio, olha bem o quê você está falando. Você acha que eu teria coragem de fazer isso?

___ Não sei, não sei...

A partir daquele momento a discussão ficou acalorada, Camila negava tudo e Cláudio, querendo chegar ao fundo do assunto, falava tudo o que Rafael tinha comentado. Camila sentia que estava afundando num lago de areia movediça. Em determinado momento ela xingou com energia e saiu rumo ao dormitório. Ele foi atrás, pegou-a por um braço, encostou-a na parede e perguntou:

___ Você me traiu?

___ Me solta, Cláudio! – gritou ela.

___ Aquele corno tocou em você? – insistiu ele.

___ Você não confia – disse ela.

Cláudio prensou-a contra a parede, segurando-a pelos braços. Encostou seus lábios na orelha dela e falou baixo, quase sussurrando:

___ Se mexeu contigo, eu mato aquele desgraçado!

___ Pára com isso! – falou Camila, sentindo que o homem estava excitado.

Ele beijou-a no pescoço, afrouxou a pressão sobre os braços e colou seu corpo ao dela. Beijaram-se com fúria. Ele enfiava a língua com raiva, como se quisesse apagar suas dúvidas naquela boca. Ainda com raiva, arrancou todas as peças do vestuário da mulher, deixando-a só de calcinha, meias e sapatos, além dos brincos, o colar e o relógio.

___ Você deu para ele? – perguntou e meteu a mão dentro da calcinha.

___ Não – gemeu Camila, sentindo os dedos deslizando pelos grandes lábios.

___ Fala, eu quero saber! – exigiu Cláudio.

Um dedo passou sobre o clitóris e perdeu-se na carne macia e quente. Ela já estava molhada e excitada.

___ Não... – murmurou a mulher, separando um pouco as pernas, para facilitar o trabalho dos dedos.

Cláudio beijou-a, misturando fúria, paixão e ternura. Terminou o beijo com uma mordida suave no lábio inferior de Camila. Ela gemeu mais forte.

Ele pegou-a no colo e caminhou até o dormitório, jogou-a sobre a cama. Camila ficou esperando, os olhos fechados, acariciando-se os seios, desejando que o homem caísse sobre ela e tomasse conta do seu corpo, saciasse seu desejo. Cláudio demorou uma eternidade para ver-se livre das roupas, olhava para o corpo sensual da sua mulher e pensamentos contraditórios batiam na sua consciência. Nu, ele retirou lentamente os sapatos, a meia e a calcinha. Puxou o corpo da mulher para a beira da cama e foi direto para o sexo, beijando e mordendo de leve.

Camila separou mais as pernas e começou a incentivar o homem, pedindo para ele enfiar a língua, morder, chupar. Ela estava muito excitada. Cláudio levou-a à beira do orgasmo e parou. Ela sentiu-se alçando vôo e, quando já estava alcançando o ápice, violentamente derrubada para o chão.

Ele deitou sobre ela, beijando-a e falando.

___ Quero saber, quero saber – dizia.

___ Vai, amor, continua fazendo, eu já estou quase lá !- suplicou ela.

A ponta do membro rondava a abertura, mas não entrava, não queria entrar. Ela mexeu o corpo, queria aquilo tudo bem lá dentro, mas ele fugia, ele não penetrava.

___ Está me torturando! – reclamou Camila.

___ Diz prá mim! Diz o quê ele fez contigo! – pediu Cláudio, excitando-se cada vez mais.

___ Nada, nada ! – afirmava a mulher, abrindo-se e mexendo-se com volúpia. A cabeça do membro acariciava e ia embora, voltava, mas não penetrava.

___ Se você contar, eu dou tudo o que você quer e ainda mais – falou o homem, deixando o peso de seu corpo cair sobre ela e, ao mesmo tempo, apenas acariciando com o pênis a entrada desejada.

Camila duvidava, não sabia até onde ele queria saber ou até onde ele sabia. Queria terminar com aquela tortura física e mental. Queria contar tudo, liberar-se daquele segredo que consumia sua tranqüilidade e, principalmente, receber o membro do seu marido no seu sexo e correr atrás do orgasmo.

___ Ele me beijou – abriu-se Camila.

___ Na boca? – quis saber ele, deixando a cabeça deslizar um pouco para dentro do sexo.

___ Na boca... – gemeu Camila, sentindo que a grossa cabeça começava a abrir caminho, separando os grandes lábios e penetrando de mansinho.

___ Muitas vezes? – perguntou Cláudio, tirando um pouco e enfiando de novo, mas sem penetrar totalmente.

___ Muitas, muitas, muitas... – Camila segurou as nádegas de Cláudio e puxou em direção à sua gruta.

___ Ele passou a mão em você? – insistiu o homem, metendo um pouco mais, tirando e voltando a meter.

___ Sim... – gemeu ela, excitada como nunca.

___ Nos seios? – perguntou ele.

___ No corpo todo, ele abusou, passou a mão por todo meu corpo – falou ela, sentindo que o membro preenchia seu sexo – . Ele me lambeu, me chupou, me mordeu ... Mete! Me come que eu conto tudo, meu amor!

___ Conta! Conta, que eu quero saber! – disse ele e começou a mexer-se com mais rapidez. Ela apertava-se contra o homem, passando as pernas por cima da cintura dele e forçando para que ele penetrasse com mais força e profundamente.

___ Ele me cravou a pica – gemeu ela, sentindo que o homem cravava com fúria - , me rasgou toda, comeu meu rabinho, gozou na minha bocaaaa!

___ Vagabunda! – gritou Cláudio e cravou com tudo no sexo aberto da mulher.

___ Ele quer me comer todos os dias, a toda hora – continuou Camila, despertando o animal adormecido dentro do marido.

___ E você gostou, sua puta? – gritou ele, cravando com mais força.

___ Eu gosto, eu adoro, eu quero ser puta! – respondeu ela, gritando também.

___ Toma, safada! – gritou Cláudio, batendo no rosto da mulher, com a mão aberta, e iniciando uma alucinante penetração.

Depois foi um torvelinho, alucinado, ele não parava de socar. Ela se abria, separava e levantava as pernas, mexia o quadril, jogava com o corpo inteiro buscando o prazer. Gozou, cravando as unhas nos braços do homem e beijando-o com luxúria, enfiando a língua e apertando com força.

Ele colocou-a de quatro, mirou o alvo e enfiou de uma vez só. Ela gritou e xingou, desabando sob o peso do homem.

___ É assim que ele faz, putinha?

___ Não, não, não! – suplicava ela.

Cláudio cego de tesão e ciúmes, não escutava. Aproveitando o peso do seu corpo, enterrava tudo até o fundo, tirava um pouco e cravava com força.

___ Dói, dói muito! – gritou Camila.

Ela sentia que o membro a rasgava, levando tudo para dentro, preenchendo todos os espaços e procurando mais. Parecia maior e mais grosso, estava acabando com ela. Depois a dor foi diminuindo e o prazer tomou conta do corpo da mulher. Cláudio a obrigava a empinar o bumbum, socando com força, xingando-a, metendo sem parar. Quando ele gozou dando um urro, ela sentiu-se aliviada.

Cláudio caiu para um lado, o membro sujo de sêmen e sangue, palpitando ainda, meio ereto. Quando ele recuperou o fôlego, virou para Camila e perguntou: “É verdade?”

Ela olhou-o nos olhos e falou: “Você sabe que eu te amo, jamais faria isso contigo.”
( conto de  Carlos Higgie )





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